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Aurora boreal na Suécia: guia da Lapônia sueca

Na Lapônia sueca, de Abisko a Luleå, Kp 0 basta para ver a aurora quando o céu está limpo e escuro. Abisko, em especial, tem uma vantagem rara: um microclima que deixa o céu aberto mais vezes do que o normal na região.

Abisko e o “buraco azul”

Abisko é um vilarejo minúsculo dentro de um parque nacional, à beira do lago Torneträsk, a 68° N. As montanhas da fronteira com a Noruega seguram boa parte das nuvens que vêm do Atlântico, e o ar que desce do outro lado chega seco.

O resultado é o que os suecos chamam de blå hålet, o “buraco azul”: um pedaço de céu que fica limpo sobre o lago enquanto o resto da região está coberto. Não acontece toda noite, mas acontece o bastante para Abisko ser um dos lugares mais confiáveis da Escandinávia.

No inverno, um teleférico de cadeira sobe até a Aurora Sky Station, no monte Nuolja, a cerca de 900 m de altitude e longe das luzes do vilarejo. Dá para ir por conta própria; o trem para em Abisko Östra e em Abisko Turiststation.

Kiruna, Jukkasjärvi e Björkliden

Kiruna é a cidade mais ao norte da Suécia e a base logística da região, com aeroporto e voos de Estocolmo. Por causa da mina de ferro, o centro está sendo transferido alguns quilômetros a leste, então espere obras e prédios novos.

Jukkasjärvi, a 17 km, abriga o Icehotel, refeito todo inverno com gelo do rio Torne, além de uma ala permanente mantida no frio o ano todo. Björkliden, logo depois de Abisko, tem uma pequena estação de esqui, acesso fácil às montanhas e o mesmo céu seco.

Para quem não quer sair sozinho, Kiruna concentra a maior parte dos passeios de motoneve, trenó de cães e caça à aurora com transporte, que em noite nublada partem atrás de céu aberto rumo a Abisko ou à fronteira.

Luleå, Jokkmokk e a costa

Luleå, no golfo de Bótnia, tem aeroporto grande e um arquipélago que congela no inverno, com estradas abertas sobre o gelo do mar em alguns anos. Perto do mar o céu é um pouco mais nublado, mas a cidade continua precisando de pouca atividade.

Jokkmokk, logo acima do Círculo Polar, é o coração da cultura sámi na Suécia. No começo de fevereiro acontece ali o mercado de inverno, uma feira com mais de 400 anos de história, e é uma ótima semana para juntar cultura e aurora.

O trem noturno desde Estocolmo

Uma das partes mais bonitas da viagem é o trem noturno que sai de Estocolmo à tarde e chega a Kiruna e Abisko no dia seguinte, depois de algo entre 17 e 19 horas, seguindo até Narvik, na Noruega. Há cabines com cama e vagão-restaurante.

É mais lento que o avião, mas economiza uma noite de hotel e mostra a paisagem passando de floresta a tundra. Atrasos acontecem no inverno; com um dia de folga no roteiro, isso não estraga nada. Para as datas de fim de ano, reserve cedo.

E em Estocolmo?

Quase todo brasileiro passa por Estocolmo. A página da cidade mostra que ali é preciso cerca de Kp 3, e mesmo assim a aurora aparece baixa no norte, apagada pela luz urbana. Nas grandes tempestades de 2024 ela foi vista e fotografada em todo o sul da Suécia, mas isso não serve de base para planejar uma viagem.

O melhor uso de Estocolmo na viagem é como ponto de partida: um ou dois dias na cidade, depois o voo de pouco mais de uma hora e meia para Kiruna ou o trem noturno para o norte. Na volta, a mesma lógica, com uma noite de folga antes do voo internacional.

Quando ir e o que esperar do clima

Em Abisko e Kiruna, a temporada vai do começo de setembro ao começo de abril. Em Kiruna o Sol não nasce durante cerca de três semanas em dezembro; do fim de maio a meados de julho é sol da meia-noite.

O interior é frio: -15 °C a -30 °C em janeiro é normal em Kiruna. Abisko, mais perto das montanhas, costuma ser um pouco menos gelado e mais ventoso. Setembro tem cores de outono e lagos sem gelo; fevereiro e março trazem dias mais longos para caminhar, esquiar ou andar de trenó de cães.

Como chegar desde o Brasil e Portugal

Do Brasil, o caminho mais comum é voar até Estocolmo com escala na Europa, em Lisboa, Frankfurt, Amsterdã, Paris ou Istambul, e seguir de avião para Kiruna ou Luleå, ou de trem noturno. De Portugal, o trajeto é o mesmo, em geral com uma escala só até Estocolmo.

Do aeroporto de Kiruna até Abisko são uns 100 km pela estrada E10, que continua até Narvik. Há ônibus regionais e o próprio trem. Alugar carro é possível, mas em Abisko você nem precisa dele: o céu escuro fica a cinco minutos a pé.

Uma noite em Abisko

Abisko tem poucas ruas, uma estação de pesquisa científica, um albergue de montanha e alguns hotéis pequenos. Depois do jantar, quase todo mundo vai para a beira do lago, a poucos minutos a pé, onde o Torneträsk congelado abre o horizonte para o norte.

Lapporten, o vale em forma de U visto do vilarejo, é o fundo clássico das fotos. Quando a aurora sobe por cima dele, o reflexo na neve deixa a paisagem mais clara do que se espera. Leve tripé, bateria extra no bolso de dentro do casaco e paciência: as noites costumam ter várias ondas, separadas por longos intervalos de calma.

Perguntas frequentes

Abisko ou Kiruna? Abisko tem céu limpo com mais frequência e menos luz; Kiruna tem mais hotéis, restaurantes e o aeroporto. Muita gente dorme em Abisko e usa Kiruna só como passagem.

Quantas noites ficar em Abisko? Três é o mínimo; quatro ou cinco dão margem para o tempo. Mesmo com o “buraco azul”, há noites fechadas.

Dá para combinar Abisko com a Noruega? Dá. Pela E10 ou pela ferrovia, Narvik fica a cerca de uma hora e meia, e de lá se chega a Lofoten e a Tromsø.

Qual a melhor hora da noite? Em geral entre 22h e 2h, mas a aurora pode surgir logo que escurece. A página Esta noite mostra, para Abisko, o horário com melhor chance.

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Última revisão: 22 de outubro de 2026