Glossário da aurora
Previsão de aurora vem cheia de siglas em inglês e números sem unidade clara. Este glossário reúne os termos que você vai encontrar em sites, aplicativos e passeios, na ordem em que eles costumam fazer falta: primeiro o básico, depois a previsão, depois o céu e a câmera.
O básico
Aurora boreal: luz no céu causada por partículas do vento solar que atingem a alta atmosfera em volta do polo norte magnético. Do latim: Aurora, deusa do amanhecer, e Bóreas, o vento norte.
Aurora austral: o mesmo fenômeno em volta do polo sul magnético. Visível com frequência na Tasmânia, na Nova Zelândia e na Antártida; rara na Patagônia; nunca no Brasil.
Oval auroral: anel em volta de cada polo magnético onde a aurora acontece com mais frequência. Fica mais ou menos entre 65 e 72 graus de latitude magnética e se expande para o equador quando a atividade aumenta.
Latitude magnética: latitude medida em relação ao polo magnético, e não ao geográfico. É ela que decide se um lugar vê aurora. Por isso o Canadá vê aurora mais ao sul do que a Europa.
Magnetosfera: a bolha formada pelo campo magnético da Terra, que desvia a maior parte do vento solar. A aurora é a parte visível da energia que consegue entrar.
Ionosfera: camada da alta atmosfera, de cerca de 60 a 1.000 km de altura, onde o ar está parcialmente ionizado. É onde a aurora brilha.
Revontulet: nome finlandês da aurora, fogos da raposa, de uma lenda sobre uma raposa que levantava faíscas de neve com a cauda.
O Sol e o vento solar
Vento solar: fluxo contínuo de partículas carregadas que sai do Sol. Normalmente viaja a 300 a 400 km/s; em eventos fortes, passa de 700 km/s.
CME (ejeção de massa coronal): nuvem gigante de plasma lançada pelo Sol. Quando atinge a Terra, de um a quatro dias depois, pode provocar tempestades geomagnéticas fortes.
Explosão solar (flare): clarão intenso de radiação numa região ativa do Sol. Muitas vezes acompanha uma CME, mas a explosão em si não causa aurora.
Buraco coronal: região da coroa solar com campo magnético aberto, de onde sai vento solar rápido. Comum na fase de descida do ciclo solar.
Corrente de alta velocidade (HSS): o vento solar rápido que sai de um buraco coronal. Produz noites de Kp 4 a 6 com frequência.
Ciclo solar: alternância de cerca de 11 anos entre mínimo e máximo de atividade. O ciclo 25 teve o pico por volta do fim de 2024.
Mancha solar: área mais escura e fria na superfície do Sol, com campo magnético intenso. A contagem de manchas mede o ciclo solar.
Recorrência de 27 dias: o Sol gira mais ou menos uma vez a cada 27 dias, visto da Terra. Um buraco coronal que gerou aurora tende a voltar a apontar para nós quatro semanas depois.
Os números da previsão
Kp: índice de 0 a 9 que mede a perturbação do campo magnético da Terra em blocos de três horas. Dividido em terços, como 4+, 5- e 5.
Escala G da NOAA: classificação de tempestades geomagnéticas. G1 corresponde a Kp 5, G2 a Kp 6, G3 a Kp 7, G4 a Kp 8 e G5 a Kp 9.
Tempestade geomagnética: período de perturbação forte do campo magnético, a partir de Kp 5.
Bz: componente norte-sul do campo magnético interplanetário. Negativo (para o sul) favorece a aurora; positivo (para o norte) dificulta.
nT (nanotesla): unidade usada para o Bz e para o campo magnético. Um Bz de -10 nT sustentado é muito favorável.
IMF (campo magnético interplanetário): campo magnético que o vento solar carrega pelo espaço. O Bz é uma das suas componentes.
Densidade: número de partículas do vento solar por centímetro cúbico. Picos de densidade junto com velocidade alta indicam a chegada de uma CME.
L1: ponto entre a Terra e o Sol, a cerca de 1,5 milhão de km, onde ficam os satélites que medem o vento solar. Dá um aviso de 30 a 60 minutos.
Índice Hp30: índice parecido com o Kp, mas calculado a cada meia hora pelo GFZ Potsdam. Reage mais rápido às mudanças.
Subtempestade: liberação súbita de energia acumulada na magnetosfera. Dura de 20 minutos a uma hora e é quando a aurora fica mais brilhante e rápida.
No céu
Arco: faixa de aurora calma e regular, normalmente de leste a oeste. É a forma mais comum no começo da noite.
Cortina: aurora em forma de cortina pregueada, com dobras que se mexem. Sinal de atividade.
Corona: quando a aurora está diretamente acima de você, os raios parecem convergir para um ponto no céu, como uma coroa.
Aurora pulsante: manchas que acendem e apagam a cada poucos segundos, comuns depois de uma subtempestade, perto do amanhecer.
STEVE: faixa estreita, roxa ou esbranquiçada, de leste a oeste, às vezes com listras verdes. Não é aurora no sentido clássico, mas aparece com ela em latitudes médias.
Linha de 557,7 nm: emissão verde do oxigênio atômico, entre cerca de 100 e 250 km. A cor mais comum da aurora.
Linha de 630 nm: emissão vermelha do oxigênio acima de cerca de 200 km. Domina quando a aurora é vista de muito longe, como em Portugal em maio de 2024.
Nitrogênio: responsável pelos tons azuis, violeta e rosados, sobretudo na borda de baixo das cortinas.
Observação e foto
Adaptação ao escuro: processo em que o olho fica mais sensível. Leva de 20 a 30 minutos e se perde com uma luz forte.
Bastonetes: células da retina que funcionam no escuro, mas não veem cor. Por isso a aurora fraca parece cinza a olho nu.
ISO: sensibilidade do sensor da câmera. Para aurora, normalmente entre 800 e 3200.
Abertura (f/): tamanho da abertura da lente. Quanto menor o número, mais luz entra; para aurora, f/2.8 ou menor é o ideal.
Tempo de exposição: quanto tempo o sensor fica captando luz. Aurora lenta aceita 10 a 15 segundos; aurora rápida pede 1 a 4.
Modo noturno: função dos celulares que faz várias exposições e as combina. Funciona bem para aurora com o aparelho apoiado.
Perguntas frequentes
Qual termo eu preciso entender antes de tudo? Kp, comparado ao Kp de que o seu local precisa. Depois, Bz. Com esses dois e a previsão de nuvens, você já consegue decidir a maioria das noites.
Kp e escala G são a mesma coisa? Medem a mesma coisa de formas diferentes. A escala G da NOAA só começa no Kp 5; abaixo disso, não há tempestade, mas pode haver aurora bonita debaixo do oval.
Por que tantos termos em inglês? A maioria dos dados vem de agências americanas e europeias e os aplicativos usam as siglas originais, como CME, IMF e HSS. Vale reconhecê-las mesmo lendo em português.
STEVE é perigoso ou é um tipo de satélite? Nem um nem outro. É um fenômeno óptico da alta atmosfera, estudado com ajuda de fotógrafos amadores, e o nome surgiu meio de brincadeira antes de virar sigla.
Última revisão: 16 de outubro de 2026