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O ciclo solar e a aurora: o que esperar até 2027

Sim, ainda vale. O ciclo solar 25 teve seu pico por volta do fim de 2024. Na fase de descida, tempestades fortes continuam possíveis por mais alguns anos, embora fiquem aos poucos menos frequentes. Para quem está planejando a viagem da aurora para 2026 ou 2027, a janela continua aberta.

O que é o ciclo solar

O Sol alterna períodos calmos e agitados num ritmo de cerca de 11 anos. No mínimo, passam semanas sem manchas solares. No máximo, aparecem dezenas de grupos de manchas, as explosões solares ficam mais frequentes e as ejeções de massa coronal (CMEs) partem com mais força.

Os ciclos são numerados desde meados do século 18. O atual é o 25, que começou no fim de 2019. A contagem de manchas cresceu mais rápido do que as previsões iniciais indicavam e chegou ao pico por volta do fim de 2024.

Maio e outubro de 2024: o que o máximo trouxe

Em 10 e 11 de maio de 2024, uma sequência de CMEs provocou a tempestade geomagnética mais forte em mais de vinte anos, de nível G5, o topo da escala da NOAA. A aurora foi vista e fotografada em latitudes onde quase ninguém lembrava de algo assim: sul da Europa, sul dos Estados Unidos e México. Em Portugal, apareceu em fotos tiradas em vários pontos do país, em geral como brilho avermelhado ao norte, mais intenso na câmera do que a olho nu.

No hemisfério sul, a aurora austral foi fotografada na Patagônia argentina e chilena. No Brasil, nada. Em 10 de outubro de 2024 veio outra tempestade severa, com nova onda de fotos em latitudes médias.

Esses episódios mostram duas coisas: perto do máximo, o extraordinário fica possível. E mesmo o extraordinário tem limite: o Brasil continua fora do alcance.

Por que a descida do ciclo ainda é boa

Muita gente acha que, passado o pico, a aurora some. Não é assim. Várias das maiores tempestades da história aconteceram na fase de descida, quando o Sol ainda tem regiões ativas grandes e complexas.

Além disso, a descida costuma trazer buracos coronais grandes e duradouros. Eles soltam correntes de vento solar rápido que atingem a Terra a cada 27 dias, conforme o Sol gira. Essas correntes raramente produzem tempestades extremas, mas geram muitas noites de Kp 4 a 6, excelentes para quem já está na faixa auroral.

Para Tromsø, Lapônia, Islândia ou Yellowknife, isso é ótima notícia: o que conta lá é a frequência de noites ativas, não a chance de um G5.

2026 e 2027 na prática

Tempestades fortes continuam possíveis em 2026 e 2027, mas tendem a ficar menos frequentes do que em 2024. Ninguém sabe dizer em que semana, e é bom desconfiar de quem garante. O que se pode afirmar é que a frequência de noites ativas segue acima da média de um mínimo solar.

Para o viajante brasileiro, a conclusão é simples: não espere o próximo máximo, que deve vir só no começo da década de 2030. Se a viagem cabe no orçamento e nas férias, 2026 e 2027 são anos bons.

E se você está pensando em ir ao eclipse solar total de 2 de agosto de 2027, na Espanha, no Marrocos ou no Egito, lembre que agosto é verão no Ártico: o eclipse e a aurora não combinam na mesma viagem. Quem quiser os dois precisa de duas viagens.

O que o ciclo não muda

Ou seja, o ciclo aumenta o espetáculo e a chance de noites intensas, mas a base da viagem continua a mesma: lugar certo, época certa, noites suficientes.

  • A estação: aurora boreal só de fim de agosto a início de abril, máximo solar ou não.
  • As nuvens: nenhum ciclo solar abre o céu.
  • A Lua cheia e a luz da cidade continuam atrapalhando.
  • Debaixo do oval auroral, há aurora em quase toda noite limpa e escura, mesmo no mínimo solar.

Como acompanhar

Para ter uma ideia de como o ciclo atual se compara a outros anos, o arquivo de tempestades do site lista todas as noites com Kp 5 ou mais desde 1989, com as cidades onde a aurora foi possível. É uma forma concreta de ver quantas noites ativas teve o ciclo 23, o ciclo 24 e o atual.

Para a previsão de curto prazo, a recorrência de 27 dias é a ferramenta mais útil na fase de descida. Se houve aurora forte num dia, marque na agenda a data quatro semanas depois.

Ciclo solar e a escolha do mês

O ciclo dá o pano de fundo; o mês ainda pesa. Perto dos equinócios, em março e em setembro e outubro, a geometria entre o eixo magnético da Terra e o campo do vento solar favorece o acoplamento, e as estatísticas de várias décadas mostram mais tempestades nessas épocas.

Para o brasileiro, isso se traduz em duas boas janelas: a primeira metade da primavera daqui (setembro e outubro, quando o Ártico já tem noites escuras e ainda não está tão gelado) e o fim do verão (março, com o Carnaval às vezes caindo no começo do mês). Em anos de descida do ciclo, essas janelas costumam ser as mais generosas.

Perguntas frequentes

O máximo solar já passou, então perdi a melhor época? Não. A fase de descida ainda traz tempestades, cada vez menos frequentes, e muitas noites ativas. Para quem vai à faixa auroral, 2026 e 2027 continuam bons anos.

Quando será o próximo máximo? O ciclo 26 deve atingir o pico por volta do começo da década de 2030, mas a data exata só fica clara alguns anos antes.

No mínimo solar ainda dá para ver aurora? Sim. Debaixo do oval, em lugares como Tromsø, Abisko ou Yellowknife, há aurora na maioria das noites limpas mesmo no mínimo. O que diminui são as tempestades fortes.

Uma tempestade como a de maio de 2024 pode trazer a aurora ao Brasil? Não há indicação disso. Mesmo naquele G5, a aurora chegou à Patagônia e ao sul da Europa, mas não ao Brasil.

Última revisão: 16 de outubro de 2026