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As cores da aurora boreal, explicadas

Cada cor da aurora é a assinatura de um gás numa altitude específica. O verde vem do oxigênio a cerca de 100 a 250 km de altura, o vermelho do oxigênio mais alto, o azul e o roxo do nitrogênio. Entender isso ajuda a saber o que esperar, e a não se frustrar quando o céu parece cinza.

O que acontece lá em cima

Partículas do vento solar, principalmente elétrons, são aceleradas na magnetosfera e despencam ao longo das linhas do campo magnético até a alta atmosfera. Ali elas batem em átomos de oxigênio e moléculas de nitrogênio e os deixam excitados, com energia sobrando.

Para voltar ao normal, esses átomos liberam a energia em forma de luz, cada um num comprimento de onda bem definido. É o mesmo princípio de um letreiro de neon, só que a cem quilômetros de altura e do tamanho de um país.

Verde: a cor de quase toda aurora

O verde-amarelado, em 557,7 nanômetros, vem do oxigênio atômico entre mais ou menos 100 e 250 km de altitude. É a cor dominante porque é ali que a maior parte dos elétrons perde energia e porque o olho humano é mais sensível justamente nessa faixa do espectro.

Quem vai a Tromsø, Rovaniemi ou à Islândia vai ver sobretudo verde. Em noite fraca, um verde tão pálido que parece nuvem; em noite forte, um verde vivo que ilumina a neve.

Vermelho: alto, raro e mais comum longe dos polos

O vermelho profundo, em 630 nanômetros, também é do oxigênio, mas acima de cerca de 200 km, onde o ar é tão rarefeito que o átomo tem tempo de emitir essa luz mais lenta antes de trombar com outro. A emissão é fraca, e o olho quase não a capta.

Aqui tem um detalhe curioso para leitores de Portugal. Quando a aurora chega muito longe do polo, como na tempestade de maio de 2024, o que sobra visível no horizonte costuma ser justamente essa parte alta e vermelha, porque a faixa verde fica abaixo do horizonte. Foi assim que a aurora apareceu em fotos tiradas em Portugal: um brilho rosado ou avermelhado ao norte, mais forte na câmera do que a olho nu.

Em tempestades muito intensas, o vermelho pode cobrir o céu inteiro, até em latitudes altas.

Azul, roxo e rosa: a borda de baixo

O nitrogênio dá azul e violeta, em comprimentos de onda como 427,8 nanômetros, principalmente na parte de baixo das cortinas, perto dos 100 km, quando a atividade é forte e os elétrons chegam mais fundo.

Quando você vê a borda inferior de uma cortina ficar rosa ou magenta e se mexendo rápido, é sinal de subtempestade em curso. Esse rosa é a mistura do vermelho e azul do nitrogênio com o verde do oxigênio logo acima.

Há ainda aurora azul-arroxeada no topo de cortinas muito altas iluminadas pelo Sol, ao anoitecer ou perto do amanhecer: o nitrogênio ionizado absorve e reemite a luz solar que ainda bate lá em cima.

Por que a câmera vê mais cor que você

No escuro, a visão humana passa a depender dos bastonetes, células muito sensíveis à luz mas que não distinguem cor. Os cones, que veem cor, precisam de mais luz. Resultado: a aurora fraca aparece cinza-esbranquiçada, como uma nuvem fina com formato estranho.

A câmera não tem esse problema. Com alguns segundos de exposição, ela acumula luz e registra o verde e o vermelho com força. Por isso a foto do celular pode mostrar um céu esverdeado enquanto você jura que não está vendo nada.

Isso não quer dizer que as fotos sejam falsas. Quando a aurora está forte, o olho vê o verde com clareza, e às vezes o rosa da borda. O que a câmera faz é antecipar: ela mostra a cor antes de você conseguir enxergá-la.

O que esperar em cada tipo de noite

  • Kp baixo, debaixo do oval: arco verde pálido, às vezes cinza a olho nu, verde claro na foto.
  • Atividade moderada: faixas e cortinas verdes que se mexem, visíveis com nitidez.
  • Subtempestade: céu tomado, movimento rápido, borda inferior rosada, coroa sobre a cabeça.
  • Tempestade extrema longe dos polos: brilho vermelho ou rosado baixo no horizonte, mais nítido em fotos.

Cor e nome: de aurora boreal a revontulet

O nome que usamos em português vem do latim: Aurora era a deusa romana do amanhecer, e Bóreas, o vento norte. A expressão se popularizou no século 17, numa época em que o brilho avermelhado no horizonte norte lembrava mesmo um amanhecer fora de hora.

Os finlandeses chamam a aurora de revontulet, os fogos da raposa. Na lenda, uma raposa corre pelas colinas da Lapônia e levanta faíscas de neve com a cauda até o céu. Para quem vê pela primeira vez as cortinas verdes ondulando sobre a floresta de pinheiros, a imagem faz todo o sentido.

Perguntas frequentes

A aurora é realmente verde ou é efeito da câmera? É verde de verdade. O verde do oxigênio é a emissão mais forte da aurora, e com atividade razoável o olho o enxerga bem. A câmera só exagera a saturação e capta quando está fraco.

Por que algumas fotos mostram roxo? Pode ser o nitrogênio na borda de baixo ou a mistura de vermelho alto com azul. Também pode ser o processamento do celular, que às vezes puxa as cores. Desconfie de fotos muito saturadas.

Existe aurora branca? A olho nu, aurora fraca parece branca ou cinza por limitação da visão noturna. Na física, ela continua tendo as mesmas cores.

Qual é a aurora mais rara de ver? A vermelha cobrindo o céu inteiro em latitudes altas, típica apenas das maiores tempestades, e a aurora azul iluminada pelo Sol ao entardecer.

Última revisão: 16 de outubro de 2026